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Fonte: Associação Americana de Psicologia - "Answers to Your Questions For a Better Understanding of Sexual Orientation & Homosexuality"
RESPOSTAS ÀS PRINCIPAIS PERGUNTAS Para melhor entender a Orientação Sexual e a Homossexualidade
Desde 1975 que a Associação Americana de Psicologia se dedica a remover o estigma que tem desde há muito tempo sido associado à orientação sexual Lésbica, Gay e Bissexual. A psicologia preocupa-se com o bem-estar das pessoas e grupos sociais e consequentemente com as ameaças que ponham em causa esse bem-estar. O preconceito e a discriminação vividos regularmente por lésbicas, gays e bissexuais, mostraram ter efeitos psicológicos negativos. Esta brochura tem por objectivo dar informação rigorosa a todos os que querem perceber melhor o que é a orientação sexual e o impacto do preconceito e da discriminação nos que se identificam como lésbicas, gays e bissexuais.
O que é a orientação sexual?
Orientação sexual entende-se por – Padrão duradouro de atracção emocional, romântica e/ou sexual por homens, mulheres ou ambos os sexos. Refere-se igualmente ao sentimento de identidade baseado nesta atracção, aos comportamentos relacionados e sentido de pertença à comunidade onde outros partilham as mesmas atracções. Pesquisas efectuadas ao longo de décadas demonstraram que a orientação sexual vai desde a atracção exclusivamente por indivíduos de sexo diferentes, à atracção exclusivamente por indivíduos do mesmo sexo. No entanto a orientação sexual é, normalmente, discutida abordando 3 categorias: Heterossexual (atracção emocional, romântica e/ou sexual por indivíduos de sexo diferente), Lésbicas/Gays (atracção emocional, romântica e/ou sexual por indivíduos do mesmo sexo) e Bissexual (atracção emocional, romântica e/ou sexual por ambos os sexos). Estes comportamentos e atracções têm sido encontrados em várias culturas e nações por todo o mundo. Muitas culturas usam denominações específicas para descrever indivíduos que exprimem este tipo de atracção. Nos E.U.A. são denominados como Lésbicas – Mulheres que se sentem atraídas por mulheres; Gays – homens que se sentem atraídos por outros homens; Bissexuais – homens e mulheres que se sentem atraídos por ambos os sexos. A orientação sexual é uma característica distinta de outras componentes humanas como o Sexo e o Género incluindo sexo biológico (características fisiológicas, anatómicas e genéticas de homens ou mulheres) identidade de género (sentimento psicológico de identidade masculina ou feminina), papel social associado ao género (normas culturais que definem o comportamento feminino e masculino). A orientação sexual é frequentemente discutida como se fosse somente a característica de um indivíduo, como o sexo biológico, identidade de género ou a idade. Esta perspectiva é no entanto incompleta porque a orientação sexual é definida de acordo com o relacionamento com os outros. As pessoas expressam a sua orientação sexual através da sua interacção comportamental com outros, incluindo comportamentos afectivos tão simples como dar as mãos e beijar. Assim a orientação sexual é uma ligação forte entre relacionamentos íntimos e pessoais com sentimentos nítidos de amor, ligação emocional e intimidade afectiva. Além de comportamentos sexuais, estas ligações incluem comportamentos afectivos não sexuais entre indivíduos, partilha de objectivos e valores, apoio mútuo e compromisso duradoiro. Desta forma a orientação sexual não é meramente uma característica dentro de um indivíduo, mas sim uma característica que define um grupo de pessoas entre as quais alguém é capaz de mais facilmente iniciar um relacionamento amoroso, emocional, duradoiro e satisfatório, componente essencial para a identificação pessoal.
Como sabem as pessoas se são lésbicas, gays ou bissexuais?
De acordo com o entendimento científico e profissional actual, as atracções que estão na base da orientação sexual em adultos, emergem tipicamente entre o meio da infância e o início da adolescência. Estes padrões de atracção emocional romântica e sexual podem surgir antes de qualquer experiência sexual. As pessoas podem ter comportamentos celibatários e serem capazes de reconhecer a sua orientação sexual, seja ela lésbica, gay, bissexual ou heterossexual. As experiências variam de indivíduo para indivíduo. Muitos reconhecem a sua orientação sexual muito tempo antes de iniciar algum tipo de relacionamento romântico com outros. Outros iniciam a sua vida sexual antes de reconhecerem a sua orientação sexual. O preconceito e a discriminação tornam difícil para muitos perceberem a sua orientação sexual, assim o reconhecimento de ser uma identidade sexual própria pode ser um processo longo e demorado.
O que leva a que uma pessoa tenha uma determinada orientação sexual?
Não existe consenso entre cientistas acerca das razões exactas para que um individuo tenha uma orientação sexual heterossexual, bissexual, gay ou lésbica. Embora muitas pesquisas tenham tentado encontrar ligação entre factores genéticos, hormonais, de desenvolvimento, sociais e culturais na orientação sexual, não existem dados conclusivos que permitam que os cientistas afirmem que a orientação sexual é determinada por este ou aquele factor. A maior parte dos indivíduos reconhecem que não têm sentido de escolha no que diz respeito à sua orientação sexual.
Qual o papel do preconceito e da discriminação nas vidas das lésbicas, gays e bissexuais?
Nos E.U.A. as lésbicas, gays e bissexuais são alvo de preconceito, discriminação e violência devido à sua orientação sexual. O preconceito generalizado tornou-se muito frequente durante a maior parte do séc. XX. Estudos de opinião pública realizados nas décadas de 70, 80 e 90 mostraram consistentemente que no seio da população em geral, as lésbicas, gays e bissexuais eram alvo de fortes atitudes negativas. Mais recentemente a opinião pública tem-se oposto e criticado a discriminação em relação à orientação sexual, no entanto expressões de hostilidade contra lésbicas e gays continuam a existir na sociedade americana actual. O preconceito contra bissexuais parece igualmente existir. Na realidade, indivíduos bissexuais podem ser discriminados tanto por heterossexuais como por algumas lésbicas e gays. O grave preconceito anti-gay toma a forma de violência e perseguição contra indivíduos LGB (lésbicas, gays e bissexuais) na comunidade americana. Vários estudos indicam que a perseguição e abusos verbais são sistematicamente vivenciados por lésbicas, gays e bissexuais, assim como a discriminação no emprego e no acesso à habitação que continuam a ser frequentes. A pandemia do Vírus da Sida é outra área que motiva o preconceito e discriminação da população LGBT. Inicialmente foi veiculado que a SIDA era um vírus dos “Gay”, o que provocou uma lenta e demorada reacção em entender e resolver o que veio a revelar-se ser um problema social de grande dimensão. A associação da doença a gays e bissexuais e a incorrecta informação de que todos os gays e homens bissexuais estavam infectados com o vírus da SIDA levou a uma estigmatização ainda maior e mais profunda da comunidade LGB.
Qual o impacto psicológico da discriminação e preconceito?
A discriminação tem um impacto social e individual muito grande. Ao nível social a discriminação e preconceito reflectem-se nos estereótipos diários que afectam as lésbicas, gays e bissexuais. Estes estereótipos persistem, mesmo que não existam factos que os suportem e são frequentemente utilizados como arma para perpetuar a desigualdade de oportunidades. Por exemplo, no acesso às oportunidades de emprego, parentalidade e reconhecimento de relações afectivas. Ao nível individual este preconceito e discriminação têm efeitos negativos principalmente se os indivíduos tentam esconder a sua orientação sexual. Embora muitas lésbicas, gays e bissexuais consigam aprender a lidar com o estigma social contra a homossexualidade, na realidade este padrão de preconceito tem efeitos negativos na saúde e bem-estar, que pode ser ainda maior se juntarmos outras fontes de discriminação como a raça, a etnia e a religião. O preconceito e discriminação generalizados de que são alvo as lésbicas, gays e bissexuais, são causas preocupantes que afectam a saúde mental. O preconceito sexual, a orientação sexual e a violência contra os homossexuais são uma fonte muito importante de stress. Embora o apoio social seja uma forma importante de ajudar a lidar com o stress, o facto é que o preconceito e discriminação social tornam difícil o acesso a essa mesma ajuda.
A homossexualidade é uma doença mental?
Não. A orientação sexual (lésbica, gay ou bissexual) não é uma doença mental. Várias pesquisas não foram capazes de encontrar uma associação inerente entre estas orientações sexuais e a psicopatologia. Tanto o comportamento heterossexual como o homossexual são aspectos normais da sexualidade humana. Estão ambos amplamente documentados em diferentes culturas e eras históricas. Apesar da persistência de estereótipos que “representam” as lésbicas, gays e bissexuais como indivíduos perturbados, várias décadas de pesquisas e experiência clínica, permitiram que quase todas as organizações de saúde e médicas dos E.U.A. chegassem à conclusão de que apenas representam formas normais de contacto humano. As relações lésbicas, gays e bissexuais são relações normais de afectividade. Assim a classificação da homossexualidade como doença mental foi há muito tempo posta de parte.
Que dizer de terapias destinadas a modificar a orientação sexual de homossexual para heterossexual?
A maior parte das organizações de saúde mental, expressaram os seus receios relativamente a este tipo de terapias, que promovem a modificação da orientação sexual. Até à data, não se realizaram pesquisas cientificas adequadas que possam mostrar que estas terapias (algumas vezes denominadas “correctivas” ou “de conversão”) são seguras e/ou efectivas. Mais, é provável que a promoção de terapias de conversão reforcem estereótipos e contribuam para o ambiente negativo que rodeia lésbicas, gays e bissexuais. Este parece ser o caso de homossexuais que crescem em ambientes religiosos mais conservadores. Os terapeutas que trabalham com indivíduos que demonstrem dificuldade em aceitar ou lidar com a sua orientação sexual devem promover a aquisição de mecanismos que ajudem a compreensão e a capacidade de lidar com preconceitos sociais contra a homossexualidade, a capacidade de resolver com sucesso conflitos internos, a capacidade para construir e ter uma vida feliz e realizada. Os profissionais de saúde mental devem respeitar a auto-determinação do indivíduo, ser sensíveis à sua raça, etnia, cultura, idade, género, identidade de género, orientação sexual, religião, estatuto socio-ecónomico, língua e incapacidade física aquando da sua intervenção, assim como eliminar factores de parcialidade relacionados com estas características.
O que é o “Coming Out” e porque é importante?
A expressão “Coming Out” é utilizada para referir diferentes aspectos relacionados com a assumpção e relacionamento social da orientação sexual de lésbicas, gays e bissexuais: Auto-compreensão da atracção por indivíduos do mesmo sexo; assumir a sua homossexualidade perante uma ou mais pessoas; assumir esse sentimento de uma forma generalizada para com outras pessoas; capacidade de se identificar com a comunidade lésbica, gay e bissexual. Muitas pessoas hesitam em assumir a sua homossexualidade com receio de serem discriminadas e de serem alvo de actos preconceituosos. Alguns escolhem manter a sua identidade em segredo, outros fazem o “Coming Out” em circunstâncias controladas, outros assumem a sua homossexualidade em pleno perante a sociedade. O “Coming Out” é, normalmente, um passo psicológico importante para lésbicas, gays e bissexuais. De acordo com pesquisas, o sentimento positivo ligado ao auto-reconhecimento da orientação sexual e a integração plena na vida social, causa um sentimento de bem-estar e melhora a saúde mental. Essa integração frequentemente implica a assumpção da sua orientação sexual perante outros e talvez uma participação activa na comunidade homossexual. A possibilidade de discutir a própria orientação sexual com outros, permite o acesso ao apoio social que é fundamental para o bem-estar físico e de saúde mental. Tal como os heterossexuais, também os homossexuais e bissexuais tiram benefício da possibilidade de partilhar as suas vidas e receber apoio de amigos e familiares. Assim, não é de estranhar, que lésbicas e gays que escondem a sua orientação sexual, apresentem mais frequentemente preocupações relativamente à saúde mental e física em comparação com indivíduos mais abertos.
A orientação sexual e o “Coming Out” na adolescência.
A adolescência é um período em que os indivíduos começam a separar-se das suas famílias e a desenvolver a sua autonomia. Como pode ser um período de experimentação, muitos jovens podem questionar a sua orientação sexual. O despertar de sentimentos sexuais é normal no desenvolvimento de adolescentes. Em alguns casos, os adolescentes podem ter experiências ou sentimentos com indivíduos do mesmo sexo o que pode causar alguma confusão relativamente à sua orientação sexual. Este sentimento de confusão parece diminuir com o tempo e revelar diferentes resultados de indivíduo para indivíduo. Algumas pessoas desejam e iniciam comportamentos afectivos com pessoas do mesmo sexo, mas não se identificam como homossexuais ou bissexuais, muitas vezes devido ao estigma associado com uma orientação não heterossexual. Alguns adolescentes sentem-se atraídos de uma forma continua por indivíduos do mesmo sexo mas não se iniciam em actividades sexuais com o mesmo sexo ou podem ainda ter actividade sexual com pessoas de sexo diferente. Devido ao estigma associado a homossexuais, muitos adolescentes sentem-se atraídos por pessoas do mesmo sexo durante muito tempo, antes de iniciarem qualquer relacionamento com pessoas do mesmo sexo ou assumirem essa atracção a outros. Para alguns jovens, o processo de experimentação da atracção pelo mesmo sexo, leva à identificação com orientação sexual lésbica, gay ou bissexual. E para alguns, a compreensão dessa identidade pode acabar com a confusão em relação à sua orientação sexual. Quando estes jovens recebem o apoio de pais e amigos, são capazes de fazer uma vida normal e feliz, atravessando o processo de desenvolvimento normal que é a adolescência. Quanto mais novo for o individuo que assume a sua identidade não heterossexual, menos recursos internos e externos terá ao seu dispor e necessitará de muito mais apoio de pais e amigos. Adolescentes que se identificam como lésbicas, gays e bissexuais terão provavelmente que enfrentar atitudes relacionadas com o “bullying” e outras atitudes negativas no ambiente escolar. Estas experiências negativas estão relacionadas com sentimentos de suicídio, maior risco de alcoolismo, actividades sexuais desprotegidas, e uso de drogas. O apoio de pessoas importantes na vida do adolescente pode ser muito importante para contrabalançar a discriminação. O apoio das famílias, da escola, e da sociedade em geral ajuda a diminuir o risco e permite o desenvolvimento saudável do indivíduo. Os jovens necessitam de carinho e apoio, expectativas apropriadas, encorajamento na participação de actividades com os seus pares. Também as lésbicas, gays e bissexuais que têm bons resultados, aparte o stress normal da adolescência, tendem a ser indivíduos socialmente competentes, com boa capacidade para a resolução de problemas, com sentimentos de autonomia e objectivos, que olham para o futuro com esperança. Paralelamente, alguns jovens são tomados como lésbicas, gays e bissexuais porque não se regem por papéis atribuídos tradicionalmente ao género (i.e. Crenças culturais do que são comportamentos e aparências “masculinas” e “femininas” apropriadas.). Aparte de estas pessoas se identificarem como lésbicas, gays ou bissexuais, são alvo de preconceito e discriminação baseado na assumpção de que o são. O melhor apoio para estes jovens são escolas e ambientes sociais que não toleram comportamentos e linguagens discriminatórias.
Em que idade devem as jovens lésbicas, gays e bissexuais fazer o seu “coming out”?
Não existe uma resposta simples e absoluta para esta questão. Riscos e benefícios associados ao “coming out” são diferentes, dependendo do individuo e das circunstâncias. Alguns jovens vivem em famílias em que o apoio à sua orientação sexual é claro e estável, pelo que estes jovens encontram um risco menor aquando do “coming out”. Jovens que vivem em famílias com menor apoio podem enfrentar maiores riscos. Mas todos podem sentir a discriminação, preconceito e até violência nas escolas, grupos sociais, locais de trabalho e comunidades religiosas, aquando da assumpção da sua orientação sexual. Famílias, amigos e escolas que promovem o apoio a estes jovens são importantes “amortecedores” do impacto que experiências negativas têm nos adolescentes.
Qual a natureza do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo?
Pesquisas indicam que muitas lésbicas, gays e bissexuais querem e têm compromissos estáveis. Dados indicam que 40%-60% de gays e 45%-80% de lésbicas estão actualmente envolvidos numa relação amorosa. Dados do Census de 2000 nos E.U.A. indica que em 5.5 milhões de casais que vivem juntos, não casados, cerca de 1 em cada 9 (594.391) tinham companheiros do mesmo sexo. Mesmo que os dados do Census sejam uma estimativa por defeito (aquém da realidade), indicam que há 301.026 casais gays e 293.365 casais de lésbicas a viverem em união de facto nos E.U.A. Estereótipos acerca de lésbicas, gays e bissexuais persistem, mesmo que vários estudos demonstrem que são incorrectos. Por exemplo, um dos estereótipos é o de que os relacionamentos de lésbicas e gays são disfuncionais e infelizes. No entanto vários estudos demonstraram que casais homossexuais e heterossexuais são equivalentes em termos de satisfação com o relacionamento e compromisso. Outro estereótipo é o de que lésbicas, gays e bissexuais são instáveis. No entanto, e apesar da hostilidade social para com casais homossexuais, pesquisas mostraram que muitas lésbicas e gays têm relacionamentos duradoiros. Dados indicam que 18%-25% de casais gays e 8-21% de casais de lésbicas vivem juntos há mais de 10 anos. Será razoável sugerir que a estabilidade de casais homossexuais pode ser aumentada se os indivíduos tiverem os mesmos níveis de apoio e reconhecimento dos seus relacionamentos tal como os indivíduos de casais heterossexuais, isto é, direitos legais e responsabilidades associadas ao casamento. Um terceiro estereótipo é o de que os objectivos e valores de casais homossexuais são diferentes dos casais heterossexuais. Na realidade, pesquisas mostraram que os factores que influenciam a satisfação de um relacionamento, compromisso e estabilidade são muitíssimo semelhantes entre casais homossexuais e heterossexuais em união de facto. Menor pesquisa tem sido efectuada em relacionamentos de pessoas que se identificam como bissexuais. Se estes indivíduos tiverem relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, então provavelmente enfrentarão o mesmo grau de preconceito e discriminação que lésbicas e gays. Se estão num relacionamento com indivíduos de sexo diferente, as suas experiências serão semelhantes às de heterossexuais, a não ser que optem por se assumirem como bissexuais. Neste caso, provavelmente enfrentarão algum do preconceito e discriminação que lésbicas e gays enfrentam.
Podem as lésbicas e gays ser bons pais?
Muitas lésbicas e gays são pais. Outros gostariam de o ser. No Census de 2000 nos E.U.A. 33% das mulheres em relacionamentos com outras mulheres e 22% de homens em relacionamentos com outros homens em união de facto, revelou terem uma criança abaixo dos 18 anos de idade a residirem oficialmente com eles. Embora não existam dados para comparar, muitas lésbicas e gays solteiros, são igualmente mães e pais, assim como muitos casais homossexuais são pais em “part-time” porque os filhos residem oficialmente noutro local. Como a visibilidade social e o estatuto legal de mães lésbicas e pais gays tem vindo a aumentar, algumas pessoas têm levantado preocupações com o bem-estar das crianças nestas famílias. A maior parte destas preocupações têm origem em estereótipos negativos acerca de lésbicas e gays. A maior parte da pesquisa efectuada centra-se na questão de saber se as crianças educadas por lésbicas e gays estão em desvantagem quando comparadas com crianças educadas por pais heterossexuais. Aqui ficam as principais questões e respectivas respostas:
1. As crianças de lésbicas e gays têm mais problemas relacionados com a sua identidade sexual que crianças educadas pos pais heterossexuais? Por exemplo, será que estas crianças têm problemas relacionados com a identidade de género e/ou comportamentos atribuídos ao géneros? A resposta das pesquisas é clara: a identidade sexual e de género (incluindo identidade de género, comportamento de género e orientação sexual) desenvolve-se de forma igual entre crianças com mães lésbicas e crianças com pais heterossexuais. Menos estudos estão disponíveis relativamente a crianças com pais gays. 2. As crianças educadas por lésbicas e gays têm problemas de desenvolvimento em áreas diferentes da de identidade sexual? Por exemplo, existirão crianças com mães lésbicas e pais gays mais vulneráveis a quebras mentais, terão mais problemas comportamentais serão menos saudáveis mentalmente que crianças com pais heterossexuais? Mais uma vez, estudos de personalidade, auto-conceito e problemas comportamentais, revelaram que existem poucas diferenças entre crianças com mães lésbicas e crianças com pais heterossexuais. Menos estudos estão disponíveis relativamente a crianças com pais gays. 3. As crianças de mães lésbias e pais gays terão maior probabilidade de ter problemas com relacionamentos sociais? Por exemplo, serão provocados e maltratados pelos seus pares? Mais uma vez dados indicam que crianças com pais homossexuais têm relacionamentos sociais normais com os seus pares e adultos. O que resulta destal pesquisa é o facto de crianças filhas de pais homossexuais terem uma vida social típica para a sua idade em termos de envolvimento com os seus pares, pais, família e amigos. 4. Terão estas crianças maior probabilidade de serem molestadas sexualmente pelos pais ou por amigos dos pais? Não existe qualquer suporte científico relativamente aos medos de crianças de pais homossexuais serem molestadas sexualmente pelos pais ou amigos dos pais. Em suma, a ciência social demonstrou que preocupações frequentemente levantadas acerca de crianças com pais homossexuais – preocupações normalmente ancoradas em preconceitos e estereótipos contra homossexuais – são infundadas. No geral, pesquisas indicam que crianças com pais homossexuais, não são marcadamente diferentes de crianças com pais heterossexuais, no que diz respeito ao seu desenvolvimento, ajustamento e bem-estar generalizado.
Que se pode fazer para reduzir o preconceito e a discriminação contra lésbicas, gays e bissexuais?
Lésbicas, gays e bissexuais que querem ajudar a reduzir o preconceito e a discriminação podem ser abertos relativamente à sua orientação sexual, mesmo que tomando todas as precauções necessárias à sua segurança pessoal. Podem examinar as suas crenças identificando estereótipos anti-gay. Podem-se valer da comunidade lésbica, gay e bissexual – assim como de indivíduos heterossexuais – para apoio.
Heterossexuais que desejem ajudar a reduzir o preconceito e a discriminação, podem analisar as próprias reacções a estereótipos e preconceitos anti-gay. Podem tentar socializar com lésbicas, gays e bissexuais, trabalhar com eles e com as comunidades a que estes pertencem no sentido de combater o preconceito e a discriminação. Os heterossexuais encontram-se em posição favorável de abordar outros heterossexuais e de os fazer analisar a natureza dos seus preconceitos e acções discriminatórias. Os heterossexuais podem encorajar a implementação de políticas não discriminatórias, incluindo a orientação sexual. Podem trabalhar para que o processo de “Coming Out” seja cada vez mais seguro. Quando as lésbicas, gays e bissexuais têm possibilidade de tornar pública a sua orientação sexual, os heterossexuais têm então oportunidade de interagir pessoalmente com eles e compreendê-los e aceitá-los como indivíduos que são.
Estudos de preconceito, incluindo o preconceito contra homossexuais, demonstram consistentemente que o preconceito diminui quando membros da maioria interagem com membros de grupos minoritários. Tendo em mente este padrão, uma das mais importantes influências na aceitação de homossexuais por parte de heterossexuais, é socializar pessoalmente com um homossexual assumido. Atitudes contra homossexuais são muito menos comuns entre membros da população que têm amigos e familiares que são homossexuais, principalmente se esse homossexual se assumiu directamente a este indivíduo heterossexual.
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